É inútil a filosofia, como se sabe.
Assim como a arte – coisa que também se sabe.
Um filósofo artista ou um artista filósofo ou ainda um artista e filósofo é um duplo inútil.
E Marx sentenciou que a mercadoria é, de um lado, suor e engenho; de outro, utilidade.
Sem um de seus aspectos fundamentais, a mercadoria não se constitui como tal.
Por isso, filosofia e arte não vendem ou vendem pouco.
Sua inviabilidade comercial, no entanto, é curiosíssima, pois filosofia e arte são, em essência, o comércio mais extremo: a filosofia, como frenética feira das ideias; a arte, como perene intercurso (carnal?) de todas as formas.